Crítica de “O Bosque Selvagem”: animação da Laika surpreende

Crédito: Divulgação

Queridos, como é bom sair de uma ótima sessão! Sou apaixonado por animações. Inclusive, às vezes, me questiono se estou sendo muito exigente, mas, quando saio da cabine de imprensa, meu questionamento cai por terra! Assistir a uma produção de qualidade é de encher os olhos. E não estou sendo um chato exigente, basta os estúdios pararem de produzir coisas genéricas e engessadas e se dedicarem a produzir algo com excelência! Bom, prepara um cafezinho, garante teu ingresso e vem conversar comigo sobre “O Bosque Selvagem” (Imagem Filmes).

A técnica de animação em stop-motion, por si só, já tem sua beleza. Ver todo o cuidado, a dedicação e, principalmente, o trabalho envolvido é fascinante. Não tem IA (inteligência artificial) que faça algo com tamanha qualidade. É como assistir a um filme “artesanal”. Particularmente, sou um grande amante de feirinhas, então produtos feitos à mão me conquistam. Agora, ver essa técnica aplicada a um longa é de sair da sessão maravilhado!

Se tem algo que descobri ao longo da minha vivência nas cabines de imprensa, foi como é difícil colocar em palavras o quanto gostamos de uma obra. Por mais que eu reescreva, troque alguma palavra ou adjetivo, parece que nada faz jus ao que assisti. Também não quero parecer que estou rasgando elogios à toa. Mas, gente… Que satisfação ver uma animação de qualidade!

Ouso dizer que é uma das melhores animações a que assisti neste ano.

Quem já me acompanha sabe que tenho um carinho enorme pela Disney, mas que, de uns anos para cá, ela tem sido uma decepção. Pois bem, muito obrigado, estúdio Laika! Você renovou minha esperança nos filmes de animação! Uma produção corajosa, que não tem receio de se arriscar. Por exemplo: se algum personagem falha, ele vai arcar com as consequências. O filme não passa pano para tentar amenizar situações difíceis. Se é preciso eliminar algum personagem, isso acontece. O espectador sente a dor, mas entende que era necessário para a história. É como traduzir a realidade da vida para a animação sem deixar o lúdico de lado.

Aqui, não temos aquele beijo de amor verdadeiro que quebra o feitiço, nem uma clássica jornada do herói em que você consegue prever o que vai acontecer na sequência. Existe magia? Sim. Mas não é uma magia infinita, capaz de criar vestidos exuberantes do nada. Também não está ali só para dar um toque especial e ser usada quando convém.

Em “O Bosque Selvagem”, tudo é construído no seu devido tempo. O espectador sente a empolgação de descobrir e encaixar as peças desse grande quebra-cabeça. Captamos uma pista aqui, outra ali, e surgem diversos questionamentos. E temos a certeza de que, até os créditos finais, todos os arcos terão uma resolução. Apesar de algumas narrações, o filme passa longe daquele recurso chato do “professor roteiro”, que explica tudo ao espectador. São pouquíssimas as situações em que questionamos alguma facilidade do roteiro.

Esse é o tipo de produção que nos deixa na poltrona até as luzes da sala se acenderem. Tem uma beleza ímpar, que merece ser apreciada em uma tela grande. Uma produção que não está preocupada em gerar cortes para as redes sociais — a gente olha a tela toda, sim. Sério, a fotografia, os cenários, as escolhas do que cada personagem vai vestir, suas personalidades, enfim… Tudo foi feito com muito cuidado. E, durante os créditos, vemos um pouco dos bastidores de como algumas cenas foram feitas. A gente até esquece que está assistindo a uma produção em stop-motion.

Saí da sessão com vontade de voltar para esse bosque. E não porque eu queira uma continuação, mas porque quero assistir ao filme mais uma vez.

Estúdio Laika, muito obrigado pela experiência que foi ver “O Bosque Selvagem”. Se você também é apaixonado por animações, garante teu ingresso! Um abraço, queridos. Thi.

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