O Einstein Hospital Israelita anunciou uma parceria com a Mayo Clinic Platform para acelerar startups de inteligência artificial (IA) voltadas à saúde na América do Sul. Apresentado durante o Einstein Frontiers, evento dedicado a discutir aplicações de IA e robótica na medicina, o Healthcare Innovation Program terá duração aproximada de um ano e combinará conhecimento clínico e científico, infraestrutura tecnológica e suporte estratégico para empresas que desenvolvem soluções para o setor.
A iniciativa é direcionada a startups de IA em saúde e prevê acesso à infraestrutura tecnológica da Mayo Clinic Platform para o desenvolvimento, treinamento e avaliação de modelos. A proposta é ajudar as empresas a amadurecer suas tecnologias e ampliar as possibilidades de aplicação nos sistemas de saúde. O primeiro grupo de participantes está na etapa final de seleção, e novas turmas deverão ser abertas posteriormente.
O programa também prevê uma avaliação das empresas pelo Einstein, por meio do chamado Strategic Snapshot. O relatório considera aspectos estratégicos, de negócios, técnico-científicos, regulatórios e de propriedade intelectual. A partir desse diagnóstico, as startups poderão identificar desafios e oportunidades para desenvolver seus produtos e modelos de negócio.
Além do acesso à estrutura tecnológica, as empresas selecionadas terão mentorias em estratégia empresarial, desenvolvimento de negócios, captação de recursos e questões regulatórias. A iniciativa também prevê conexões com profissionais e instituições do ecossistema de saúde e inovação da América do Sul.
Primeiro grupo de empresas está em fase final de seleção; novos ciclos de aceleração estão previstos. Foto: Alice Labate/TecMundo
Estratégia vai além do desenvolvimento de tecnologia
A parceria faz parte de uma estratégia mais ampla do Einstein para aproximar hospitais, pesquisadores, empresas e empreendedores no desenvolvimento de soluções para a saúde. Em entrevista ao TecMundo durante o Einstein Frontiers, o diretor executivo de Inovação do Einstein, Rodrigo Demarch, afirmou que a instituição busca identificar problemas do sistema antes de decidir quais tecnologias devem ser desenvolvidas ou incorporadas.
“Uma das coisas que aprendemos ao longo dessa jornada é que a tecnologia é muito importante, mas existe outro componente necessário, que é desenvolver soluções baseadas nas necessidades locais. É preciso entender o contexto de uma determinada localidade, como o Brasil ou a América Latina, e, a partir daí, criar ou adaptar tecnologias para que elas possam servir a quem está na ponta, entregando cuidado”, disse.
Segundo Demarch, a estratégia de inovação da instituição envolve diferentes caminhos. Uma solução pode ser desenvolvida internamente, construída em parceria com uma empresa ou adquirida de terceiros, caso já exista uma tecnologia capaz de atender à necessidade identificada. A decisão depende do problema que precisa ser resolvido e das alternativas disponíveis no mercado.
O executivo também destacou que o desenvolvimento de tecnologias para a saúde exige etapas de validação antes de sua adoção na prática clínica. No caso de ferramentas que auxiliam médicos em diagnósticos ou decisões clínicas, por exemplo, é necessário produzir evidências científicas que demonstrem sua eficácia e segurança. Dependendo da aplicação, também pode ser necessário obter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Primeiro, é preciso entender o problema com profundidade. Muitas vezes, quem trabalha com inovação começa pela solução, e nós costumamos dizer que isso é um equívoco. A partir do momento em que você entende o problema, passa a pensar em quais seriam as soluções. E, muitas vezes, a solução nem é tecnológica: pode ser uma mudança de processo ou um redesenho de serviço”, afirmou.
A aproximação com a Mayo Clinic também busca ampliar o alcance das empresas que passam pelo ecossistema de inovação do Einstein. De acordo com Demarch, as startups que passaram pela estrutura da instituição já impactaram cerca de 65 milhões de vidas e contribuíram para a geração de aproximadamente 2 mil a 2,5 mil empregos. Para o executivo, conectar essas empresas a uma plataforma internacional pode ajudar a levar suas tecnologias a outros mercados e ampliar o alcance das soluções desenvolvidas na região.