O governo do Estado assinou nesta quarta-feira (28) um decreto que institui 2027 como o ano dos centenários de Vítor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, e de João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes.
O objetivo é homenagear a relevância de Teixeirinha (1927-1985) e de Paixão Côrtes (1927-2018) para a formação, a preservação e a difusão da identidade cultural do RS. A iniciativa irá estimular ações de memória e de educação patrimonial, além de promover atividades culturais em diferentes regiões do estado.
Entre outras iniciativas, o projeto prevê exposições, apresentações musicais, exibições audiovisuais e conteúdos digitais. Também promete articulação de instituições públicas e privadas, entidades culturais, pesquisadores e representantes da sociedade civil em ações de valorização da memória e do patrimônio cultural.
Teixeirinha
O cantor, compositor, radialista e cineasta Teixeirinha alcançou projeção nacional e internacional com uma obra que contribuiu significativamente para a difusão da música regional gaúcha e para a valorização de temas, costumes e referências culturais do Rio Grande do Sul.
Nascido no distrito de Rolante, que à época pertencia ao município de Santo Antônio da Patrulha, foi recordista em vendas de álbuns musicais, tendo recebido o apelido “O Rei do Disco”. Lançou mais de 50 álbuns, o primeiro deles em 1960. Em 1961, conheceu a acordeonista Mary Terezinha, que o acompanhou por 22 anos.
No cinema, escreveu o roteiro do longa-metragem “Coração de Luto”, estrelou “Motorista sem Limites” e, pela Teixeirinha Produções Artísticas, produziu dez filmes. Também apresentou o programa “Teixeirinha Amanhece Cantando”, nas rádios Farroupilha e Gaúcha.
Paixão Côrtes
Já o pesquisador, folclorista e tradicionalista Paixão Côrtes foi um dos principais idealizadores e protagonistas do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Nas décadas de 1940 e 50, junto a Barbosa Lessa e outros tradicionalistas, criou a Chama Crioula, o Desfile dos Cavalarianos, a Ronda Crioula (que, posteriormente, originou a Semana Farroupilha), e o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) – o 35 CTG, fundado em 1948.
Em 1954, serviu de modelo para a célebre escultura do Laçador, do escultor Antônio Caringi. Patrono da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre, realizada em 2010, Paixão Côrtes teve, ao longo de sua trajetória, atuação fundamental para a pesquisa, a documentação e a valorização das manifestações culturais do Estado, por meio da preservação e da transmissão do patrimônio imaterial gaúcho – como a dança, a música, a indumentária, os costumes e outras expressões da cultura tradicionalista.