A queda do voo 402 da TAM em São Paulo completa 30 anos neste sábado (31). Em 31 de outubro de 1996, um Fokker 100 da companhia caiu sobre casas no bairro do Jabaquara, na zona sul da capital paulista, 24 segundos após decolar do Aeroporto de Congonhas. Todas as 96 pessoas a bordo morreram, assim como três pessoas que estavam em solo.
O avião havia decolado por volta das 8h30 com destino ao Rio de Janeiro. Antes de atingir as residências da rua Luís Orsini de Castro, a cerca de dois quilômetros do aeroporto, a aeronave colidiu com três prédios. Um incêndio começou após a queda.
O que provocou a queda do voo 402
O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apontou uma falha no reversor de empuxo do motor direito. O dispositivo, usado para ajudar a desacelerar o avião após o pouso, abriu durante a decolagem, desestabilizando a aeronave, que se inclinou para a direita.
Em manifestação à Agência Brasil, a Latam, sucessora da TAM, informou que a investigação publicada em 1997 recomendou mudanças nos procedimentos da companhia e modificações técnicas pela fabricante do avião. O modelo Fokker 100 deixou a frota em 2008.
A memória das famílias 30 anos depois
Sandra Assali levou o marido, o cardiologista José Rahal Abu Assali, ao aeroporto naquela manhã. Ele viajaria ao Rio para dar aula em um congresso e voltaria a São Paulo no mesmo dia. Sandra, que tinha dois filhos pequenos, perdeu o marido no acidente.
“O luto é permanente”, afirmou à Agência Brasil em reportagem sobre os 30 anos da tragédia. Ela relatou que recebeu a confirmação da morte cerca de 40 minutos depois de deixar o marido no aeroporto e defendeu a preservação da memória das vítimas.
O impacto também atingiu os moradores do Jabaquara. Em entrevista concedida à Agência Brasil em 2021, o jornalista Jorge Tadeu da Silva, que teve a casa destruída pela queda do avião, relatou que a disputa por indenização levou 11 anos.
O que mudou na assistência às vítimas
Sandra participou da criação, em 1997, da Abrapavaa (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos), da qual é presidente. A entidade passou a defender os direitos dos familiares e a cobrar mudanças na resposta das companhias aéreas a acidentes.
Na época da queda do voo 402, não havia obrigação de assistência às famílias nos moldes adotados posteriormente. A mobilização contribuiu para regras que passaram a exigir das empresas aéreas medidas como informação aos familiares, acomodação, transporte e apoio médico e psicológico. Em retrospectiva publicada em 2021, a Agência Brasil situou em 2005 a adoção das obrigações de assistência abordadas na reportagem.
A associação também atuou pela revisão dos valores do seguro obrigatório. Outro desdobramento da tragédia foi uma disputa judicial que garantiu acesso às conclusões técnicas da investigação aeronáutica.
A Latam declarou à Agência Brasil que se solidariza com os atingidos e afirmou ter buscado apoiar os familiares desde o primeiro momento. Sandra, por sua vez, relatou que as famílias não receberam o amparo de que precisavam após o acidente.