O calor extremo associado ao fenômeno El Niño deve causar 857 mil mortes ao redor do mundo. Aproximadamente 373 mil desses óbitos estão previstos para ocorrer nos próximos seis meses. No Brasil, espera-se que o número de mortes relacionadas ao calor fique acima da média em todos os meses, totalizando cerca de 19 mil óbitos.
A estimativa é do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Conforme os pesquisadores, as mortes causadas pelo calor durante o fenômeno El Niño, irão se concentrar, em sua grande maioria, no Sul Global. A análise foca os próximos seis meses (outubro a março).
A Nigéria deve registrar o maior número de óbitos decorrentes do calor do El Niño. A projeção indica cerca de 56 mil mortes ao longo do período de seis meses.
A Índia aparece logo em seguida, com uma estimativa de cerca de 55 mil mortes relacionadas ao calor. A maioria delas irá ocorrer em março.
O Sudeste Asiático continua sendo uma área crítica. Na Indonésia, projeta-se a perda de cerca de 29 mil vidas devido ao calor provocado pelo El Niño.
Países devem se preparar
Os pesquisadores da Universidade de Chicago orientam governos a direcionar esforços de resposta a emergências e de resiliência para as regiões de maior prioridade. Essa preparação pode salvar dezenas de milhares de vidas.
O Climate Impact Lab oferece uma base de evidências rigorosa e atualizada regularmente sobre medidas de adaptação que comprovadamente salvam vidas, abrangendo desde sistemas de alerta precoce e expansão do acesso à saúde até a criação de centros de resfriamento e medidas de proteção para trabalhadores que atuam ao ar livre.
Aumento das projeções
O total projetado de mortes por calor decorrentes do El Niño é significativamente superior ao que foi apresentado no relatório de setembro. Esse aumento deve-se, principalmente, a dois fatores.
Primeiro, a inclusão do mês de março na previsão, o que permite abranger uma parcela maior do fenômeno El Niño; segundo, os pesquisadores passaram a considerar dados observados — em vez de apenas previsões — para os meses de agosto e setembro. Os dois meses acabaram sendo muito mais quentes do que o previsto.
De fato, agosto foi o agosto mais quente, e setembro, o segundo setembro mais quente já registrado.