Líder de agência da ONU propõe dar nome a mais de mil espécies marinhas

Foto: © Alexis Rosenfeld Iniciativa deste 1 de novembro pretende aproximar a sociedade da biodiversidade do oceano profundo de forma participativa e empolgante

No coração do Planeta Terra, milhares de metros abaixo da superfície, existe um mundo silencioso, misterioso e essencial para o futuro. O tema move, neste 1º de novembro, as segundas celebrações do Dia Internacional dos Fundos Marinhos.

A data, proclamada pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, ISA, em Assembleia da agência, com sede em Kingston, na Jamaica, considera a região que cobre 54% dos oceanos globais em profundidades que variam de 200 10 mil metros. Ao abrigar ecossistemas importantes, essa área guarda o segredo do equilíbrio do clima global.

Ação, ciência e preservação

A secretária-geral da ISA, Letícia Carvalho, falou à ONU News sobre a importância da agência que impede que os abismos oceânicos sejam explorados para ganhos imediatistas e o significado do 1 de novembro como Dia Internacional.

© The Ocean Story/Vincent Kneefel
Edição de 2026 coloca a ciência no centro dos holofotes globais

“Marca o discurso histórico do embaixador Havid Pardo, maltês. Há 30 anos, ele chamou a atenção na Assembleia Geral da ONU para um elemento fundamental. As áreas fora de jurisdição deveriam pertencer a toda a humanidade e ser protegidas de interesses privados que possam simplesmente ser orientados pelo curto prazo e pelo retorno financeiro de curto prazo.”

Para as novas gerações, a data não representa apenas uma celebração do oceano profundo, mas um chamado urgente à ação, à ciência e à preservação.

Recursos a serem explorados

É esse legado de visão global e equidade que ecoa na voz da secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. Letícia de Carvalho lembra que Pardo chamou a atenção na ONU para o elemento crucial.

 “Ao contrário, ao preservar e ao instituir essa área como patrimônio comum da humanidade, o embaixador Havid Pardo criou para o mundo um legado, não só para a presente geração, mas para as futuras gerações, de que todos os recursos possíveis já serem explorados, explotados ou conservados nesta particular região dos fundos marinhos fora de jurisdição nacional, eles devem beneficiar a humanidade como um todo.”

Para a secretária-geral, as áreas fora de jurisdição nacional merecem ser protegidas de interesses privados orientados apenas pelo retorno financeiro de curto prazo.

Segundo ela, ao instituir os fundos marinhos como patrimônio comum, criou-se um legado para as presentes e futuras gerações, garantindo que qualquer exploração ou conservação nessa região beneficie a todos com equidade.

Ciência no centro dos holofotes globais

Após uma primeira celebração focada no conceito de patrimônio comum, a edição de 2026 coloca a ciência no centro dos holofotes globais.

A garantia da proteção ambiental depende do conhecimento, unindo a pesquisa científica de ponta aos saberes tradicionais das comunidades costeiras, que são as primeiras a sentir os impactos de qualquer atividade econômica nos oceanos.

O grande destaque deste ano promete mobilizar jovens, cientistas e entusiastas do oceano em todo o mundo através do desafio da taxonomia e da identificação da vida marinha nas profundezas.

“A ideia é criar uma grande campanha onde se celebre a possibilidade de até 2030 nomearmos mil espécies da fauna dos fundos oceânicos. Esse é o grande objetivo do dia, da celebração desse ano e uma plataforma para que todos possam se engajar nesse esforço.”

Oportunidade de dar nomes a criaturas

Com as expedições científicas revelando seres impressionantes a todo momento, identificar e descrever essas espécies tornou-se um passo indispensável para compreender o papel de cada uma no ecossistema e assegurar sua preservação.

© Unsplash/Tim B. Motivv
Ambição da ISA é transformar o Dia Internacional dos Fundos Marinhos em plataforma de engajamento,

A iniciativa pretende aproximar a sociedade da biodiversidade do oceano profundo de forma participativa e empolgante.

A comunidade internacional é convidada a nomear espécies recém-descobertas da fauna de profundidade, abrindo inclusive ao público a oportunidade de dar nomes a criaturas que habitam o assoalho oceânico ou nadam ao seu redor. 

A ambição é transformar o Dia Internacional dos Fundos Marinhos em plataforma de engajamento, inovação e proteção do futuro do planeta.

* Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News. 

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